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Mercado Imobiliário no 2º Semestre de 2026: o que os números mostram sobre os próximos meses

Enquanto muitas projeções feitas no fim de 2025 apostavam em cortes agressivos da Selic ao longo de 2026, os números do meio do ano mostram um cenário mais moderado — e um mercado imobiliário que caminha em “duas velocidades” bem distintas. Veja o que os dados mais recentes revelam sobre o comportamento do setor e o que esperar dos próximos meses.

Selic: cortes mais lentos do que o esperado

O Copom cortou a Selic para 14,25% ao ano em junho de 2026 — bem acima dos 12% a 13% que boa parte das projeções feitas no fim de 2025 indicavam para o período. O Boletim Focus agora aponta a Selic em apenas 14% ao final do ano, com o mercado enxergando espaço para só mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro. A próxima decisão do Copom acontece nos dias 4 e 5 de agosto.

Na prática, isso significa que as taxas de financiamento bancário seguem em 9% a 11% ao ano, com impacto ainda limitado no crédito imobiliário — bancos costumam levar de 3 a 6 meses para repassar cortes da Selic às taxas de financiamento.

Um mercado em duas velocidades

O segmento popular, sustentado pelo Minha Casa Minha Vida, segue muito aquecido e é hoje descrito por especialistas como “o porto seguro do setor”. Já o médio e alto padrão sente o peso dos juros altos e do custo de construção em alta, com lançamentos em recuo — especialmente em São Paulo, onde caíram 5% no primeiro trimestre de 2026, mesmo com o consolidado nacional crescendo 19,3% em 12 meses, puxado pelo segmento popular.

Demanda em nível recorde

A intenção de compra de imóveis entre os brasileiros bateu recorde histórico: 50% da população pretende comprar um imóvel, chegando a 56% entre a Geração Z (21 a 28 anos). O interesse por investimento também segue forte — 26% das compras no último trimestre de 2025 tinham essa finalidade, ante 20% em 2024. Em São Paulo, as vendas acumuladas em 12 meses saltaram de 138,8 mil para 151,7 mil unidades entre o segundo e o terceiro trimestre de 2025.

Preços: valorização abaixo da inflação

Apesar da demanda aquecida, os preços não estão acompanhando: o Índice FipeZap registrou alta de apenas 0,51% por m² em abril, abaixo da inflação do período — o que representa perda de valor real. No acumulado do primeiro semestre, a alta foi de 2,42%, também abaixo do IPCA (3,62%). Manaus e Vitória lideram a valorização entre as capitais.

O sinal de alerta: estoques em alta no médio/alto padrão

Este é talvez o dado mais importante para quem acompanha o setor de perto. Enquanto o estoque do segmento popular (MCMV) está em 8 meses de vendas — nível saudável —, o estoque do segmento de renda média chega a 21 meses, e o de alta renda a 18 meses. Em São Paulo, o estoque de apartamentos de 3 e 4 quartos subiu de 18,5 para 26 meses de venda.

Um relatório do BTG Pactual sobre os balanços das construtoras listadas em bolsa reforça esse alerta: empresas de padrão médio e alto apresentam margem bruta elevada e inadimplência baixa, mas o ritmo de venda está inferior ao de oferta, e o indicador VSO (Venda Sobre Oferta) já sinaliza preocupação.

Aluguel: desaceleração após meses de alta

O mercado de locação residencial fechou o primeiro semestre com alta de 5,24% — acima da inflação —, mas em junho o ritmo caiu para apenas 0,10%. São Paulo, inclusive, registrou seu primeiro recuo mensal depois de 12 altas consecutivas. A inadimplência no aluguel ficou em 5,7% em abril. Já o aluguel comercial subiu 6,82% no semestre, a maior alta desde 2013.

Crédito segue em expansão firme

Mesmo com o cenário misto, o crédito imobiliário segue crescendo com força. A Caixa Econômica Federal já soma R$ 1 trilhão em carteira habitacional, alta de 14% em 12 meses, e projeta o maior ano da sua história em financiamento — mais de R$ 250 bilhões. A Abecip projeta alta de 28% no crédito imobiliário total em 2026, e o home equity bateu recorde de R$ 3,166 bilhões no primeiro trimestre.

O que esperar dos próximos meses

Os sinais apontam para um segundo semestre de transição, não de virada abrupta:

  • Corte de juros gradual e mais lento do que o previsto, com efeito no crédito ainda demorado para aparecer
  • Segmento popular deve seguir como motor principal das vendas e lançamentos
  • Médio e alto padrão devem seguir cautelosos até os estoques elevados serem absorvidos
  • Demanda represada recorde pode pressionar os preços para cima assim que o crédito melhorar de fato
  • Custo de construção em alta (mão de obra responde por 45% a 50% do custo) e possível reforma da jornada 6×1 são riscos a monitorar
  • Construtoras e associações do setor (CBIC/Abramat) já projetam 2027 com mais cautela, citando reforma tributária e juros ainda elevados

Para quem está pensando em comprar, vender ou investir, o momento pede atenção aos detalhes: a demanda existe e é recorde, mas o crédito ainda não acompanha no mesmo ritmo. Entender essas nuances pode ser a diferença entre uma boa decisão e uma decisão apressada. Fale com a equipe da Server Group para simular o seu cenário.


Fontes: CNN Brasil, Portas, Chaves na Mão, ADEMI-RJ, Registro de Imóveis do Brasil e Banco Safra.

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