A cibersegurança deixou de ser pauta exclusiva de departamentos de TI. Com o volume e a sofisticação dos ataques crescendo em ritmo acelerado, entender os números reais por trás das ameaças de 2026 ajuda qualquer empresa ou pessoa a se proteger melhor. Levantamos dados de fontes especializadas — sem invenções — para mostrar o cenário real.
O tamanho do problema no Brasil
O Brasil registrou cerca de 60 bilhões de tentativas de ataque cibernético somente em 2023 (RNP). O custo médio de uma violação de dados no país em 2024 chegou a R$ 1,36 milhão, e 37% das empresas globais sofreram ataques de ransomware nos últimos anos, segundo a IDC. Os investimentos globais em segurança da informação devem saltar de US$ 213 bilhões em 2025 para US$ 240 bilhões até o fim de 2026.
Inteligência artificial está nos dois lados da guerra
Os ataques potencializados por IA cresceram 72% em 2025 na comparação com 2024, com varreduras automatizadas chegando a 36 mil tentativas por segundo (HostDime). Globalmente, o Check Point Research registrou um aumento de 21% nos ataques cibernéticos no segundo trimestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024, com organizações enfrentando quase 2.000 ataques por semana. A projeção é que ataques automatizados por IA cresçam mais de 49% até o fim de 2026.
Um dado chama atenção: 97% das violações relacionadas a IA ocorreram em ambientes sem controles de acesso adequados (HostDime). Além disso, o uso não autorizado de ferramentas como ChatGPT e Gemini por funcionários — conhecido como “Shadow AI” — já gerou incidentes com custo adicional médio de US$ 670 mil cada.
Deepfakes e engenharia social mais sofisticadas
Os deepfakes cresceram 1.500% entre 2023 e 2025, tornando phishing e fraudes corporativas muito mais difíceis de identificar. Táticas de engenharia social como “click-fix”, falsos chamados de suporte técnico, fadiga de autenticação multifator (MFA) e phishing via QR code estão entre as mais eficazes atualmente, segundo levantamento da Sophos citado pela ECO.
Ransomware: mais caro e mais rápido
Aproximadamente 78% das empresas sofreram ataques de ransomware no último ano, e a projeção é de mais de 7.000 vítimas de ransomware até o fim de 2026 — alta de 40% frente a 2024 (NovaRed). O custo médio de ataques de ransomware e extorsão já ultrapassa US$ 5 milhões, e o tempo de permanência dos invasores dentro dos sistemas (“dwell time”) caiu para apenas alguns dias. Curiosamente, os pagamentos de resgate caíram mais de 30% em alguns mercados durante 2024, mesmo com o volume de ataques crescendo — sinal de que mais empresas estão resistindo a pagar.
Grupos como o Scattered Spider têm ganhado destaque com campanhas que começam por roubo de credenciais e abuso de identidade digital, enquanto ataques à cadeia de fornecedores (supply chain) crescem à medida que os criminosos buscam escala.
A nuvem como porta de entrada
Mais de 80% das violações de dados em nuvem envolvem identidade ou configuração inadequada, sendo que a maioria dos incidentes decorre de erro de configuração do próprio cliente — não falha do provedor (Impacta). No mesmo sentido, mais de 80% das violações bem-sucedidas exploram credenciais obtidas por phishing, reutilização de senhas ou vazamentos anteriores.
Um exemplo concreto do risco de infraestrutura: em outubro de 2025, uma falha de DNS no DynamoDB da AWS causou mais de 15 horas de indisponibilidade, afetando serviços críticos no Brasil como Pix, logística e e-commerce (HostDime).
Regulação: cibersegurança agora é assunto de Estado no Brasil
Em agosto de 2025, os Decretos nº 12.573 e 12.572 elevaram a cibersegurança ao status de Segurança Nacional no Brasil, dando origem à Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), com foco em soberania de dados e resiliência de infraestruturas críticas (HostDime).
O que ajuda de verdade
Nem tudo depende de grandes investimentos. Organizações que investem em cultura de conscientização reduzem incidentes de origem humana em até 70% (Impacta). Empresas que já usam IA e automação em seus centros de segurança (SOC) reduziram o tempo de identificação de incidentes em 80 dias, economizando cerca de US$ 1,9 milhão por violação em média (HostDime). Autenticação sem senha (passkeys, biometria, tokens físicos) e arquitetura Zero Trust também aparecem como tendências consolidadas para 2026.
Na prática, isso significa: senha forte e única por serviço, autenticação em duas etapas sempre que disponível, e atenção redobrada a links, QR codes e ligações inesperadas — especialmente ao compartilhar documentos pessoais em negociações e transações financeiras.